1. Plantão Médico
  2. Local de Refúgio

Iniciar o texto

DECLARAÇÃO DE PAZ

  • Mostrar a página para impressão
  • Voltar à página normal
  • Imprimir esta página

DECLARAÇÃO DE PAZ

 

Numa manhã de segunda-feira, como hoje, há 73 anos, o sol de verão brilhava, como de costume, e o dia está prestes a começar em Hiroshima. Por favor, ouçam o que digo como se você e seus entes queridos estivessem lá. Às 8h15, surge um clarão ofuscante. Uma bola de fogo de mais de um milhão de graus centígrados libera intensa radicação e calor e, em seguida uma tremenda explosão. Sob a nuvem de cogumelo que se formou, vidas inocentes se extinguem enquanto a cidade é destruída: “Está muito quente! Está me matando!” Das casas desmoronadas, as crianças gritam chamando por suas mães.“Água! Por favor, água!” Chegam lamentos e gemidos à beira da morte. No desagradável cheiro de pessoas queimadas, as vítimas vagam como fantasmas, com a pele descascada e vermelha. A chuva negra cai ao redor delas. As cenas do inferno queimam em suas memórias e a radiação devora suas mentes e corpos, que são ainda fontes de dor para os hibakushas que sobrevivem.

Hoje, ainda existem mais de 14 mil ogivas nucleares, sendo cada vez mais provável que o que vimos em Hiroshima após a explosão daquele dia volte, por intenção ou por acidente, a imergir as pessoas em agonia.

Os hibakushas, baseados em seu conhecimento íntimo do terror das armas nucleares, estão fazendo soar um alarme contra a tentação de possuí-los. Ano após ano, à medida que diminui o número de hibakushas, ouvi-los se torna cada vez mais crucial. Um hibakusha que tinha 20 anos diz: “Se as armas nucleares forem utilizadas, todos os seres vivos serão aniquilados. Nossa linda Terra ficará em ruínas. Os líderes mundiais devem se reunir nas cidades bombardeadas com bombas atômicas, enfrentar nossa tragédia, e, no mínimo, estabelecer um rumo para a liberdade sem armas nucleares. Quero que os seres humanos se tornem bons mordomos da criação, capazes de abolir as armas nucleares.” Ele pede aos líderes mundiais que enfoquem sua razão e sua visão sobre a abolição das armas nucleares para que possamos valorizar a vida e impedir a destruição da Terra.

No ano passado, o Prêmio Nobel da Paz foi para ICAN, uma organização que contribuiu para a formação do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares. Assim, o espírito dos hibakushas está se espalhando pelo mundo. Por outro lado, alguns países proclamam abertamente o nacionalismo egocêntrico e modernizam seus arsenais nucleares, reacendendo as tensões que haviam atenuado com o fim da Guerra Fria.

Outro hibakusha que tinha 20 anos faz este apelo: “Espero que uma tragédia como essa não volte a acontecer. Nunca devemos permitir que a nossa desapareça num passado esquecido. Espero, do fundo do meu coração, que a humanidade aplique a prudência para fazer com que nossa Terra seja pacífica.” Se a família humana esquece a história ou para de confrontá-la, poderemos voltar a cometer um erro terrível. Precisamente por essa razão, devemos continuar falando sobre Hiroshima. Esforços para eliminar as armas nucleares devem continuar com base em ações inteligentes por parte dos líderes de todo o mundo.

A dissuasão nuclear e os guarda-chuvas nucleares ostentam o poder destrutivo das armas nucleares e tentam manter a ordem internacional, gerando temores em países rivais. Essa abordagem para garantir a segurança a longo prazo é inerentemente instável e extremamente perigosa. Os líderes mundiais devem ter essa realidade gravada em seus corações ao negociarem de boa-fé a eliminação dos arsenais nucleares, que é uma obrigação legal sob o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Além disso, eles devem se esforçar para tornar o Tratado sobre Proibição de Armas Nucleares um marco no caminho para um mundo livre de armas nucleares.

Nós, da sociedade civil, esperamos fervorosamente que o alívio das tensões na península coreana seja alcançado através de um diálogo pacífico. Para que os líderes tomem medidas corajosas, a sociedade civil deve respeitar a diversidade, fomentar a confiança mútua e tornar a abolição das armas nucleares um valor compartilhado por toda a humanidade. Prefeitos pela Paz, que agora conta com mais de 7.600 cidades-membro em todo o mundo, concentrar-se-á em criar esse ambiente.

Peço ao governo japonês que manifeste o magnífico pacifismo da Constituição japonesa no movimento para a entrada em vigor do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, desempenhando o papel que lhe corresponde, guiando a comunidade internacional ao diálogo e à cooperação para um mundo sem armas nucleares. Além disso, solicito uma extensão das áreas de chuva negra, juntamente com uma maior preocupação e melhor assistência para muitas pessoas que sofrem os efeitos mentais e físicos da radiação, especialmente os hibakusha, cuja idade média já ultrapassa 82 anos.

Hoje, renovamos nosso compromisso e oferecemos um sincero consolo às almas de todas as vítimas das bombas atômicas. Junto com Nagasaki, a outra cidade bombardeada com bomba atômica, e com grande parte da população mundial, Hiroshima se compromete a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para alcançar uma paz mundial duradoura e a abolição das armas nucleares.

6 de agosto de 2018

Kazumi Matsui
Prefeito da Cidade de Hiroshima
Traduzido por: Ability InterBusiness Solutions, Inc.

Poderá necessitar do software Viewer para ler os documentos anexos.Maiores detalhes, por favor, acesse Ver Viewer.

Local de informação sobre esta página

市民局 国際平和推進部 平和推進課
TEL:082-242-7831 /  FAX:082-242-7452
E-mail:peace@city.hiroshima.lg.jp